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BRICS 2026: Índia coloca IA e startups no topo da agenda de cooperação
Tecnologia

BRICS 2026: Índia coloca IA e startups no topo da agenda de cooperação

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Nalina Seidi
· 10 de September de 2026 · 4 min de leitura · 70 visualizações

Com a presidência do bloco em 2026, a Índia projeta um novo modelo de integração focado em inovação digital e pesquisa colaborativa, com impactos diretos na estratégia tecnológica dos países lusófonos.

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A Índia assumirá a presidência do BRICS em 2026 com um programa ambicioso centrado na inteligência artificial, inovação digital e desenvolvimento de infraestruturas tecnológicas compartilhadas. Esta mudança de rumo representa um posicionamento estratégico do bloco de economias emergentes face ao domínio ocidental na indústria tecnológica, criando novas oportunidades de colaboração que poderão refletir-se também nos países da lusofonia, particularmente em Portugal e nos PALOP.

O foco indiano na inovação não surge por acaso. A Índia consolidou-se como um dos maiores centros mundiais de talento em tecnologia, com um ecossistema de startups robusto e investimentos significativos em inteligência artificial. Ao colocar esta dimensão no centro da presidência do BRICS, Nova Deli pretende transformar o bloco numa plataforma alternativa de desenvolvimento tecnológico, capaz de competir com os grandes polos de inovação ocidentais e de responder aos desafios específicos das economias emergentes.

A estratégia inclui o reforço de redes de pesquisa colaborativa entre os membros do BRICS, a promoção de startups inovadoras e o desenvolvimento de infraestruturas digitais partilhadas. Isto significa que projetos em áreas como processamento de dados, computação em nuvem, cibersegurança e aplicações de IA serão desenvolvidos de forma conjunta, reduzindo dependências tecnológicas face aos fornecedores tradicionais. Para Portugal e os países lusófonos, isto abre perspetivas interessantes de participação em iniciativas de investigação e desenvolvimento, especialmente considerando a crescente importância da transformação digital em economias em transição.

A relevância desta iniciativa para Portugal é particularmente significativa. Como membro pleno da União Europeia com uma estratégia de aproximação aos mercados emergentes, Portugal poderá posicionar-se como intermediário entre a abordagem europeia e a dinâmica do BRICS em matéria de inovação. As universidades portuguesas, nomeadamente nas áreas de engenharia informática e ciências de dados, poderiam estabelecer parcerias com instituições indianas e de outros membros do bloco. Simultaneamente, empresas portuguesas especializadas em tecnologia poderiam beneficiar de oportunidades de acesso a mercados lusófonos através de plataformas colaborativas promovidas pela presidência indiana.

Para os PALOP, particularmente Angola, Moçambique e Cabo Verde, a agenda do BRICS 2026 representa uma via alternativa de modernização digital sem necessariamente depender de investimentos exclusivamente ocidentais. A cooperação em infraestruturas de dados e aplicações de IA pode acelerar processos de transformação digital em sectores críticos como a agricultura, saúde e educação. A Guiné-Bissau e Cabo Verde, apesar de menor dimensão económica, poderão beneficiar de programas de formação e transferência de conhecimento que emergirão desta cooperação ampliada. O Brasil, como membro pleno do BRICS e parceiro natural dos países lusófonos, poderá servir como catalisador dessa aproximação.

Contudo, a implementação desta agenda enfrenta desafios significativos. A heterogeneidade tecnológica entre os membros do BRICS é considerável, e a coordenação de políticas de inovação entre economias com níveis de desenvolvimento distintos requer consensos delicados. A questão da propriedade intelectual, a regulação de dados e a segurança cibernética permanecerão como tópicos sensíveis nas negociações. Além disso, a velocidade acelerada da inovação tecnológica global deixa pouca margem para iniciativas que careçam de execução rápida e eficiente.

Para a ClickNews, a presidência indiana do BRICS em 2026 marca um ponto de viragem simbólico na geopolítica tecnológica global, sinalizando que as economias emergentes recusam permanecer como consumidoras passivas de inovação ocidental. Porém, o verdadeiro teste será a capacidade de traduzir ambições em resultados concretos e sustentáveis. Para Portugal e os países lusófonos, esta é uma oportunidade para recalibrarem as suas estratégias de participação na economia digital global, evitando polarizações e apostando numa colaboração pragmática que beneficie os seus ecossistemas de inovação.
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Nalina Seidi

Autor do Artigo

Jornalista

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