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Djassi Africa consolida ecossistema de inovação para empreendedores lusófonos
Empreendedorismo

Djassi Africa consolida ecossistema de inovação para empreendedores lusófonos

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Nalina Seidi
· 28 de July de 2026 · 4 min de leitura · 0 visualizações

Plataforma de venture building reúne mais de 600 startups e amplia estratégia de inclusão para founders sub-representados na Europa, Brasil e África.

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A Djassi Africa, organização especializada em venture building, está a consolidar-se como um dos principais catalisadores de inovação nos mercados lusófonos, com uma estratégia deliberada de inclusão de empreendedores historicamente marginalizados no ecossistema de tecnologia e startups. A expansão da plataforma, que atualmente reúne mais de 600 startups em diferentes fases de desenvolvimento, marca um ponto de viragem importante na forma como se financia e se apoia a inovação em regiões frequentemente ignoradas pelos grandes investidores internacionais.

O modelo operacional da Djassi Africa distingue-se pela sua abordagem multipolar, conectando simultaneamente empreendedores do Brasil, dos países africanos de língua portuguesa (Guiné-Bissau, Cabo Verde, Angola e Moçambique) e da Europa, especialmente de Portugal. Esta configuração geográfica não é casual: responde a uma realidade estrutural em que muitos founders com ideias promissoras, especialmente mulheres, pessoas de grupos minoritários e empreendedores de economias emergentes, enfrentam obstáculos significativos para aceder a financiamento e mentoria. A plataforma funciona assim como um ponte que derruba barreiras convencionais, permitindo que talento distribuído geograficamente encontre recursos e conhecimento técnico onde quer que estejam localizados.

Para Portugal e a economia portuguesa, a iniciativa apresenta relevância estratégica considerável. O país posiciona-se progressivamente como hub de inovação europeu e como ponto de ligação natural com os mercados africanos e brasileiros. A Djassi Africa aproveita precisamente esta posição geográfica e cultural de Portugal, transformando-a num ativo competitivo para conectar investidores europeus com oportunidades de negócio em mercados de elevado crescimento. Simultaneamente, empreendedores portugueses beneficiam de exposição a modelos de negócio inovadores desenvolvidos em contextos africanos e brasileiros, potenciando a transferência de conhecimento e a colaboração transnacional.

O ecossistema de startups nos PALOP tem crescido significativamente na última década, mas permanece muito fragmentado e sub-financiado em comparação com outras regiões. Guiné-Bissau, Cabo Verde, Angola e Moçambique albergam centenas de empreendedores jovens com ideias inovadoras, mas frequentemente carecem de acesso a capital de risco, mentoria especializada e redes de contactos internacionais que facilitem o crescimento. A Djassi Africa procura preencher precisamente este vazio, oferecendo programas de aceleração, mentoria, acesso a investidores e recursos técnicos que permitem aos founders africanos competir num mercado global. O Brasil, por seu lado, já dispõe de um ecossistema mais maduro, mas mesmo aí existem grupos sub-representados que beneficiam da lógica inclusiva da plataforma.

A questão da representatividade no venture capital é fundamental para compreender o impacto da Djassi Africa. Dados internacionais consistentemente revelam que mulheres, pessoas de origem migrante e empreendedores de regiões economicamente menos desenvolvidas recebem proporções drasticamente inferiores de investimento comparativamente aos seus homólogos masculinos de regiões desenvolvidas. Esta disparidade não reflete diferenças na qualidade das ideias, mas sim enviesamentos sistémicos e estruturais nos processos de investimento. A Djassi Africa introduz mecanismos deliberados para contrariar estas tendências, garantindo que pitches são avaliados pelo mérito das ideias e não pelas características demográficas dos founders ou pela sua localização geográfica. Esta abordagem não é apenas moralmente defensável; é também economicamente racional, pois expande o conjunto de potenciais empreendedores de sucesso disponível para investimento.

A estratégia de expansão da plataforma inclui também o desenvolvimento de infraestruturas de suporte fundamentais. Para além da facilitação de contactos e investimento, a Djassi Africa oferece formação técnica em áreas críticas como gestão empresarial, produto, marketing e responsabilidade regulatória. Muitos founders em economias emergentes, apesar de possuírem ideias inovadoras, carecem de formação formal em gestão de negócios, o que aumenta significativamente o risco associado aos seus projetos. Através de programas estruturados de mentoria e capacitação, a plataforma reduz este risco, tornando os investimentos mais seguros e aumentando as probabilidades de sucesso das startups.

Para a ClickNews, a expansão da Djassi Africa representa um sinal importante de maturação do ecossistema de inovação lusófono. Mais do que um modelo de negócio comercial, a iniciativa reflecte uma mudança nas narrativas e estruturas de poder dentro do ecossistema global de tecnologia. A inclusão deliberada de voices e perspetivas historicamente marginalizadas não é apenas eticamente importante; é também economicamente inevitável, à medida que mercados emergentes se desenvolvem e o talento global torna-se cada vez mais móvel e conectado. Portugal e os países lusófonos, enquanto comunidade, têm uma oportunidade estratégica de liderar este movimento de democratização do acesso ao capital de risco, consolidando vantagens competitivas para a próxima década.
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Nalina Seidi

Autor do Artigo

Jornalista

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